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*Artigo escrito por Alessandro Coutinho, pró-reitor de Pesquisa, Pós-Graduação e Extensão na UVV e líder do Comitê Qualificado de Conteúdo em Inovação e Tecnologia do IBEF-ES.

No Brasil, e principalmente no estado do Espírito Santo, à medida que se esforçam para consolidar os ecossistemas de inovação, o caso Theranos e sua CEO Elizabeth Holmes deve servir como um lembrete da importância do ceticismo saudável e da responsabilidade em empreender da inovação.

Em 2023, o destino de Elizabeth Holmes, uma vez denominada como uma inovadora revolucionária, encontrou uma triste conclusão, quando ela se entregou para cumprir sua sentença de 11 anos em uma penitenciária no Texas, EUA. 

Para muitos que acompanharam a ascensão e a queda desta empreendedora, a entrega é um final sombrio para uma narrativa que, por um tempo, simbolizou o espírito inovador e empreendedor do Vale do Silício.

Holmes ficou conhecida ao abandonar a faculdade de Stanford aos 19 anos, e por fundar a startup de biotecnologia, chamada Theranos que prometeu revolucionar o setor de diagnósticos de saúde ao realizar múltiplos exames de sangue usando apenas “uma gota”. 

Com essa retórica conquistou rapidamente investidores e a startup acumulou um valor de mercado bilionário. 

A mídia, encantada com a jovem empreendedora, frequentemente a comparava com figuras icônicas da tecnologia, como Steve Jobs. 

Sua visão e carisma eram contagiantes, e ela rapidamente se tornou um rosto familiar nas manchetes e nas capas de revistas, simbolizando o potencial inovador do Vale do Silício.

A promessa era tão grande que sua história chegou à televisão com a minissérie “The Dropout”, lançada pela Hulu, em 2022, detalhando sua ascensão e eventual exposição. 

Contudo, por trás do brilho e das promessas de uma healthtech disruptiva, uma nova realidade estava se desdobrando. Foi revelado que a startup Theranos, ao invés de usar sua tecnologia pioneira, estava secretamente terceirizando exames para outras empresas, pois sua inovação não funcionava. Ainda mais alarmante foi a revelação de que muitos dos testes resultaram em diagnósticos incorretos, colocando em risco a saúde e a vida dos pacientes.

O caso de Elizabeth Holmes é uma lição para o setor tecnológico e para o mundo das startups em geral. 

No Vale do Silício, onde a inovação e o empreendedorismo são muitas vezes idolatrados, a história da Theranos serve como um lembrete de que a integridade e a verdade são fundamentais. 

As promessas de crescimento rápido são inúteis, e até perigosas, se não forem sustentadas por uma base sólida de ética, honestidade e transparência.

Esse episódio serve como um alerta para o equilíbrio delicado que a ciência e os negócios precisam manter. Enquanto a intersecção desses campos pode resultar em avanços enormes, também é suscetível a exageros, manipulações e, em situações extremas, pura fraude, especialmente quando a integridade é sacrificada pela perspectiva de lucro rápido.

Isso levanta a necessidade de uma educação, principalmente a científica, robusta, preparando jovens cientistas não apenas para inovar, mas para fazer ciência com integridade. 

Abandonar a faculdade pode ser a pior das decisões para quem quer empreender na ciência. 

Aos investidores, devem estar amparados com as ferramentas e o suporte técnico necessários para avaliar as startups de tecnologia com um olhar crítico, separando a real inovação de promessas vazias. 

Por fim, a ambição desenfreada sem responsabilidade e integridade pode levar à ruína, não apenas para os envolvidos, mas para todos aqueles que depositam sua confiança e esperança na solução.

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inovação na área de saúde e ilusão