Por Gonçalo Coelho de Carvalho, Consultor em Estratégia de Negócios e Doutorado em Gestão Empresarial Aplicada

Na era atual, a Inteligência Artificial (IA) não é apenas uma tecnologia emergente, mas um catalisador fundamental que está a reconfigurar o cenário empresarial. Empresas proativas estão a abraçar estratégias que incorporam os denominados microfundamentos das “capacidades dinâmicas” e a “inovação aberta” para dar forma ao futuro da IA em diversas indústrias. Esses microfundamentos, que incluem a Sensibilidade ao Mercado, a Apreensão de Oportunidades e a Reconfiguração e Transformação, são os alicerces que permitem a uma organização manter uma vantagem competitiva sustentável em mercados em constante evolução. Eles estão profundamente enraizados nas rotinas, nos processos, nos recursos humanos e nas competências das organizações muito bem-sucedidas.

A SAP exemplifica bem esse modelo das capacidades dinâmicas. Esta empresa responde e antecipa as necessidades dos clientes e integra feedback de forma ágil no desenvolvimento de produtos. Reconfiguração rápida dos recursos de IA em resposta às mudanças do mercado mantém a SAP relevante e à frente da concorrência.

Em Portugal, a Outsystems destaca-se pela sua capacidade de resposta às necessidades emergentes do mercado com a sua plataforma de desenvolvimento de software low-code, refletindo uma impressionante capacidade de adaptação e inovação. A sua plataforma permite que os utilizadores desenvolvam aplicações de forma rápida e intuitiva. A OUTSYSTEMS promove também uma cultura interna de aprendizagem contínua e sensibilidade ética, assegurando que as suas soluções são desenvolvidas com uma consciência das suas implicações sociais.

A “inovação aberta”, por sua vez, amplia os horizontes da inovação, incentivando a colaboração e partilha de ideias entre empresas, startups, instituições académicas e outros agentes do ecossistema de inovação. A Deepmind, subsidiária da Google, colabora com instituições académicas para não só avançar na pesquisa de IA, mas também garantir que o seu desenvolvimento seja ético e socialmente responsável. Esta abordagem garante que a Deepmind seja uma força líder na promoção de uma IA que seja benéfica para a sociedade.

Contudo, a adoção da IA traz consigo uma série de desafios e oportunidades. A era da IA exige competências adaptadas, exigindo dos profissionais um leque amplo de capacidades, desde o pensamento crítico e a literacia digital até à tomada de decisões éticas bem fundamentadas. Empresas como a SAP e a Feedzai enfrentam o desafio de assegurar práticas de contratação que sejam não só justas, mas também eticamente sólidas. Além disso, a necessidade de uma compreensão aprofundada dos desafios éticos relacionados com a aplicação real da IA é crucial, abrangendo questões desde a segurança física até à equidade algorítmica.

Em resumo, a integração de capacidades dinâmicas com inovação aberta, complementada por uma forte ênfase na ética e na responsabilidade social, representa uma estratégia poderosa para as empresas que aspiram liderar na era da IA. Esta abordagem holística permite às empresas não apenas responder às mudanças, mas também moldá-las e liderar o caminho para um futuro onde a tecnologia e a humanidade avançam lado a lado. Empresas que adotam estas práticas estratégicas estão mais bem preparadas para capitalizar as oportunidades apresentadas pela IA, impulsionando inovações que beneficiam a indústria e a sociedade como um todo.

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Liderar negócios com ética e agilidade – Executive Digest