No quesito tecnologia, não é exagero dizer que 2023 foi o ano do ChatGPT e de outras ferramentas de “inteligência artificial generativa” (nome dado às plataformas que usam tecnologia para criar de forma automatizada conteúdos como texto, imagens, áudio, vídeos e etc). E em 2024, essa tendência deve continuar a todo vapor. Segundo especialistas, a chamada “GenAI” ficará mais acessível no ano que vem. Mas essa não é a única “tendência tech” para 2024. No próximo ano, o investimento em startups volta ao radar e conceitos como tokenização, moedas digitais e internet das coisas ganham os holofotes.

Inteligência artificial mais acessível

Um ano após o lançamento do ChatGPT, mais ferramentas de inteligência artificial generativa surgiram e foram ganhando mais atualizações. Um exemplo recente é o software Gemini, que será integrado ao Bard (o “ChatGPT” do Google), e promete processar diversas mídias, como áudio e vídeo. Ele ainda não está disponível para o público geral, mas isso deve acontecer no início ano que vem, o que corrobora as expectativas de que essas ferramentas fiquem ainda mais potentes e sejam cada vez mais acessíveis.

Segundo o especialista em estratégias digitais Rafael Hertel, essa movimentação beneficia não só os consumidores como também as pequenas e médias empresas, uma vez que ela pode ser aplicada nos processos de atendimento e vendas e permitir que as companhias ofereçam experiências cada vez mais personalizadas.

“A GenAI favorece a tomada de decisão e otimiza recursos, dois fatores fundamentais sobretudo para pequenos e médios negócios. Além disso, traz um grande benefício: a personalização da experiência, que é uma grande tendência global. O que torna essa experiência verdadeiramente única é o constante aprendizado da Inteligência Artificial, adaptando-se com base nos valiosos feedbacks dos usuários”, afirma Hert, que é gerente no Brasil da Hostinger, empresa de hospedagem de sites presente em 150 países que desenvolveu um criador de sites com recursos de GenAI.

Investimento em startups volta ao radar

Ao longo de 2023, o mercado de venture capital (nome dado ao investimento feito em startups e novas companhias, que tende a ser mais arriscado, mas ter bom potencial de ganho) ficou praticamente parado. Afinal, com os juros nas alturas, os investidores preferiram alocar seus recursos em ativos menos arriscados e que, ainda por cima, ofereciam mais rentabilidade. Mas para 2024 isso pode mudar, especialmente com os juros em queda no Brasil e com a perspectiva de que eles caiam também nos Estados Unidos.

“As startups brasileiras já receberam mais de R$ 10 bilhões em recursos vindos deste modelo. O crescimento é tão expressivo que já existe a Associação Brasileira de Corporate Venture Capitals. Temos assistido o diálogo com investidores e eles vêm deixando cada vez mais evidente que estão de portas mais abertas a empresas que estejam no caminho de igualar seus custos e despesas operacionais à receita (também chamado no jargão de mercado de “breakeven”)”, diz Fernando Trota, fundador da Triven, empresa que oferece serviços administrativos e de RH para startups. Segundo o especialista, um estudo recente feito pela Latitud, plataforma de inovação que apoia investidores latinoamericanos, 90% dos investidores dizem que 2024 será melhor para esse mercado.

Para ele, as companhias que devem chamar mais atenção são aquelas relacionadas aos chamados negócios de impacto, como Ed Techs (empresas de tecnologia que prestam serviços de educação).

Fusões e aquisições envolvendo empresas tech

As startups com modelos de negócios e fluxos de caixa mais avançados, por sua vez, podem passar por processos de fusões e aquisições (chamados de M&A na sigla em inglês). Rafael Assunção, fundador da Questum, assessoria de M&A e investimentos em startups, afirma que 2022 foi marcado por uma desaceleração nesse tipo de negócio envolvendo novas empresas. Ele destaca, porém, que 2023 foi um ano de retomada e a expectativa é de que 2024 seja melhor.

Dados da consultoria PwC Brasil mostraram que o primeiro semestre deste ano teve 610 operações de M&A. O setor de tecnologia, por sua vez, puxou a frente nessas negociações. Ao todo, foram 295 fusões e aquisições nesse segmento. Na sequência, vieram os setores bancário e de mercado de capitais.

“Não tivemos nenhuma estreia na bolsa nos últimos dois anos, mas o mercado continuou ativo, com negócios inovadores surgindo e a inteligência artificial ganhando cada vez mais espaço. A tendência agora é que o mercado continue nessa crescente, com previsões positivas para empresas que se prepararam e investiram tempo e esforço em gestão e governança, especialmente para as empresas de tecnologia”, diz o especialista.

Tokenização e moeda digital

Segundo dados da Future Market Insights, o mercado internacional de tokenização deve ter crescimento anual de 22,6% nos próximos dez anos. No Brasil, essa tendência vai ganhar ainda mais força a partir do ano que vem, quando o Banco Central prevê o início das operações do Drex, o chamado “real digital”.

Para quem não sabe, o Drex é a representação da moeda brasileira no ambiente digital. Essa representação será feita em uma rede blockchain (ambiente virtual em que essas transações são cadastradas e validadas). Nela, só terão acesso instituições cadastradas, sejam bancos, fintechs ou instituições de pagamento. Nessa rede, o Drex vai poder interagir com outros ativos “tokenizados”.

Na prática, o Drex terá uma “extensão” das cédulas físicas, mas será transacionado exclusivamente no ambiente digital, o que facilitará determinadas transações. A ideia é que por meio dele, os consumidores consigam, por exemplo, fazer transações e investimentos 24 horas por dia e nos sete dias da semana; cadastrá-los em aparelhos eletrônicos (e, assim, programar uma TV, por exemplo, pra alugar um filme e pagá-lo por meio do Drex), etc.

Com o Drex, especialistas acreditam que outras necessidades e soluções irão surgir, como os contratos inteligentes e a tokenização de ativos de investimentos.

“Para atender ao novo cenário da moeda digital, a tendência para o mercado financeiro é a realização de testes em ambientes isolados, chamados de sandbox. Esses ambientes, que usam uma das blockchains mais poderosas dos últimos tempos, permitem a simulação de uma série de operações que serão viabilizadas pelo Real Digital. Entre elas, estão os contratos inteligentes – os smart contracts – além da tokenização de ativos como títulos privados, debêntures, imóveis, entre outros. A partir desse treinamento e dessa adaptação é que as instituições financeiras poderão migrar para o ambiente de operação do Drex com agilidade e estarão mais preparadas para o que está por vir”, afirma André Mello, presidente da empresa de tecnologia RTM.

Casas e escritórios conectados

O conceito “internet das coisas” (IoT, na sigla em inglês) diz respeito à conexão de objetos do dia a dia, que vão desde acessórios até aparelhos eletrônicos e carros com a internet. Alguns exemplos cada vez mais comum de objetos conectados à rede são os relógios inteligentes e as “smart TVs”. Mas a tendência é que isso ganhe cada vez mais escala. E, com isso, empresas brasileiras estão investindo em produtos e soluções nesse sentido.

“O IoT é uma realidade, mas até pouco tempo atrás estava restrito a um pequeno grupo de usuários. As empresas brasileiras entenderam a necessidade de investir na tecnologia e a expertise aumentou no país. Hoje conseguimos encontrar no mercado produtos nacionais e inteligentes, que permitem o controle ao alcance das mãos, muito mais acessíveis e igualmente funcionais. Com a completa instalação do 5G, o uso se cristaliza ainda mais”, afirma Nilton Junior, presidente da ZOOM Tech Business Group.

Inovação — Foto: Pixabay

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Quais serão as tendências da tecnologia em 2024? Especialistas respondem | Empreenda