O influenciador fitness Renato Cariani, de 47 anos, investigado pela Polícia Federal por suposto envolvimento num esquema de fornecimento de substâncias químicas para o tráfico de drogas, publicou, nesta sexta-feira (15), um novo vídeo rebatendo algumas das suspeitas que pairam contra ele. No posicionamento, Cariani negou ter recebido dinheiro em espécie e alegou não saber que a empresa que se passava pela AstraZeneca para comprar os produtos se tratava de fraude, visto que, segundo ele, a organização a qual é sócio teve acesso a documentos originais que só a farmacêutica teria posse.

— Falando em AstraZeneca, que foi a empresa mais citada, tem cartão de visita do gerente de compras, questionário de avaliação de fornecedores que ele enviou para resposta, todo um protocolo de cadastramento dessa empresa, onde ele mandou documentos que só a empresa tem acesso, como contrato social, CNPJ, protocolo para licença de produtos controlados e mais uma série de documentos que precisa atender para ser cliente na minha empresa. Quem está do outro lado teve acesso a documentos que só a empresa tem. E isso faz com que a empresa que eu sou sócio se torne uma vitima também — disse.

Outro ponto ressaltado na gravação pelo influenciador é que a sua relação com Fábio Spínola, apontado como um dos responsáveis por realizar depósitos em espécie na conta da Anidrol, empresa de Cariani, sobre responsabilidade da AstraZeneca em 2019, se restringe a serviços automobilísticos. De acordo com o fisiculturista, o amigo é dono de uma empresa de carros em Diadema, no ABC Paulista, onde também fica localizada a Anidrol.

— Relação íntima seria frequentar a casa dele (Spínola)? Eu nunca tive a oportunidade de ir no apartamento onde o Fábio mora. Eu nunca tive a oportunidade de recebê-lo em minha casa em São Caetano. Nós temos casas no mesmo condomínio no Guarujá. Eventualmente nos encontrávamos no condomínio — afirmou Cariani.

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Segundo as investigações da PF, Spínola criou um falso e-mail em nome de um suposto funcionário da AstraZeneca, com quem a empresa de Cariani teria negociado a compra dos produtos. A informação, no entanto, é negada pelo influenciador.

Ligação financeira de R$ 75 mil

No vídeo, o influenciador apresentou também um trecho do inquérito policial, que apontaria o suposto esquema financeiro que alimentava o desvio de drogas. Segundo divulgado, por meio de um organograma, a evidência inicial seria o fato de Renato Cariani ter enviado R$ 75 mil, em 10 de maio de 2021, para o filmmaker Mauricio Lavorato, conhecido como “Mauricião”, que trabalha com o influenciador.

Veja imagens do influencer fitness Renato Cariani

Fisiculturista foi alvo de uma operação da Polícia Federal

Ao apresentar prints de conversas entre Mauricião e Spínola, o influenciador fitness negou que tenha enviado ou recebido dinheiro aos dois, e que a transação da quantia relatada foi enviada por Mauricio à Alabanza’s Car — empresa cujo Spínola e a esposa são proprietários — para a compra de um carro.

— Por que Mauricio transferiria dinheiro para a empresa do Fábio? Porque o Mauricio comprou um carro. Pega essas provas, toda conversa da época entre o Fábio e o Mauricio. Não é entre Renato e Fábio porque eu não participei da negociação. Mauricio negocia a compra do carro, cobra documento único de transferência, pede autorização do carro… — relata o influenciador, acrescentando que o automóvel comprado seria uma BMW X1 branca, que teria sido, posteriormente, roubada durante um assalto a mão armada.

Prints seriam referentes à compra de um carro pelo “Mauricião” — Foto: Reprodução

’16 toneladas em seis anos chega a ser simbólico’, diz Cariani

O esquema do qual Renato Cariani fazia parte desviou, em seis anos, uma quantidade de produtos químicas suficiente para produzir cerca de 16 toneladas de crack, de acordo com a PF. A investigação, em parceria com o Grupo de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), começou em 2019 a partir de uma denúncia do laboratório AstraZeneca, o mesmo que fabrica vacinas e medicamentos.

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A informação, contudo, também é negada pelo influenciador, sob a justificativa de que apenas uma nota fiscal da empresa que é sócio vende, em média, 14 toneladas.

— Nós movimentamos centenas de toneladas por mês. Dezesseis toneladas em seis anos chega a ser simbólico — afirma.

Investigado pela Polícia Federal (PF) por suspeita de integrar uma organização criminosa dedicada ao tráfico de drogas, o fisiculturista Renato Cariani, de 47 anos, foi um dos alvos da Operação Hinsberg, deflagrada pela PF nesta terça-feira. Os agentes cumpriram mandado de busca e apreensão na residência dele após 60 transações dissimuladas para mascarar desvio de produtos químicos para produção de drogas.

Segundo a PF, o principal alvo no caso é a empresa Anidrol, uma indústria química que fica em Diadema, na grande São Paulo, e tem como sócio o influenciador fitness. “As investigações revelaram que o esquema abrangia a emissão fraudulenta de notas fiscais por empresas licenciadas a vender produtos químicos em São Paulo, usando “laranjas” para depósitos em espécie, como se fossem funcionários de grandes multinacionais, vítimas que figuraram como compradoras”, informou a PF.

O esquema do qual Renato Cariani fazia parte desviou, em seis anos, uma quantidade de produtos químicas suficiente para produzir 19 toneladas de crack. A investigação, em parceria com o Grupo de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), começou em 2019 a partir de uma denúncia do laboratório AstraZeneca, o mesmo que fabrica vacinas e medicamentos.

A investigação identificou que o grupo criminoso emitiu e faturou notas em nome de três grandes empresas entre 2014 e 2021, sendo elas: AstraZeneca, LBS e Cloroquímica. Até o momento, foram identificadas 60 transações vinculadas à organização criminosa — totalizando, aproximadamente, 12 toneladas de produtos químicos (fenacetina, acetona, éter etílico, ácido clorídrico, manitol e acetato de etila).

Além disso, os envolvidos teriam usado outras metodologias, segundo a PF, para ocultar os valores ilícitos recebidos, com uso de pessoas interpostas e empresas fictícias.

Sócia idosa como “álibi”

Nas redes sociais, o fisiculturista de 47 anos disse ter sido surpreendido pela ação dos agentes e que ainda não teve acesso à investigação. Ele afirmou que sua sócia, Roseli Dorth, tem 71 anos, décadas na indústria e que ela era responsável por contratos, licenças e certificações.

— Uma das empresas que sou sócio, que é a que está sofrendo investigação, foi fundada em 1981, tem mais de 40 anos de história, é uma empresa linda, onde minha sócia com 71 anos de idade ainda é a grande administradora, a grande gestora da empresa, é quem conduz a empresa, que tem sede própria, que tem todas as licenças, todas certificações nacionais e internacionais, uma empresa que trabalha totalmente regulada. — disse Cariani.

Em depoimento nessa mesma investigação, em 2021, Cariani afirmou que foi responsável pela negociação com a AstraZeneca juntamente com a sócia, e que foi abordado por um representante do laboratório por e-mail.

A PF obteve a quebra de sigilo do influencer e interceptou mensagens entre Cariani e Roseli Dorth em que mostrava saber que era monitorado pelos investigadores. Segundo a diligência, Cariani disse para a sócia em uma das conversas para “trabalhar no feriado para arrumar de vez a casa e fugir da polícia”.

Roseli se apresenta nas redes sociais como gerente comercial da empresa, e aparece como sócia em duas companhias ativas, com capital de quase R$ 2 milhões. Formada em matemática, Roseli virou sócia de Cariani em 2008, quando o youtuber entrou para o quadro societário da Anidrol Indústria Química

Transportadora de produtos de alta periculosidade

Cariani também possui uma transportadora de produtos de alta periculosidade. De acordo com ele, a empresa tem “caminhões preparados para transportar produtos extremamente perigosos”.

Qual a fortuna de Renato Cariani?

A fortuna do influencer, no entanto, vem de outras atividades. Em entrevista ao podcast Joel Jota, em fevereiro deste ano, Cariani descreveu suas atividades econômicas. Apenas o grupo Supley, dedicado aos suplementos alimentares, teve faturamento de quase R$ 1 bilhão no ano passado.

— Sou sócio de uma indústria farmoquímica, que produz princípios ativos de medicamentos. Ela tem duas sedes, uma no ABC, em Diadema, na Rodovia dos Imigrantes, e outra numa cidade chamada Pindamonhangaba. Então são duas sedes hoje que nós temos hoje dentro da indústria. No total, 160 funcionários — disse o influenciador.

Procurada pela reportagem, a Supley disse que “recebeu com perplexidade a informação de que Renato Cariani foi alvo de operação da Polícia Federal e que aguarda os desdobramentos da investigação e o julgamento sereno do caso”. Ainda segundo a empresa, “de toda forma, foram suspensas quaisquer ações de marketing que envolvam a participação do influenciador”.

A Supley acrescentou ainda que “o influenciador não é, e nunca foi, sócio, acionista e administrador”, mas “era responsável pela divulgação de alguns produtos do grupo, tendo sido um dos principais divulgadores destes produtos em mídias sociais”. E concluiu: “o Grupo Supley nunca adquiriu ou vendeu quaisquer produtos fornecidos pela sociedade Anidrol e nunca teve qualquer relação comercial com essa sociedade”.

As buscas da Operação Hinsberg tiveram início no ano passado, quando uma farmacêutica multinacional informou à PF que foi notificada pela Receita Federal sobre notas fiscais fraudadas com pagamento em dinheiro não-declarado. Na época, a empresa disse não conhecer a origem das notas e que não tinha vínculos com aqueles fornecedores.

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Renato Cariani diz ter sido enganado por empresa que se passou pela AstraZeneca